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Existe algo curioso acontecendo com algumas industriais, que eu nem tinha pensado direito que estava acontecendo.

Elas começaram o século como sinônimos de peso, produção, robustez. Mas agora querem ser percebidas como leves. Fluídas. Sustentáveis. Digitais.

De um lado, é um movimento coerente: toda marca quer sobreviver no novo imaginário. Do outro, levanta uma pergunta semiótica incômoda: – como um símbolo tão estável pode mudar sem trincar sua própria estrutura?

Analisando, recentemente ,uma marca do setor de aço, percebi o trabalho feito em reformulando sua presença digital com uma proposta inteligente: construir de maneira sólida a transição do discurso enrijecido do B2B para falar diretamente com os jovens e parecer mais cool do que robusta.

No Instagram, menos máquinas e mais gente. Menos produto, mais propósito. Menos foto da usina, mais post sobre estágio. A intenção é clara, ela quer sair do território do industrial para entrar no campo de construção de marca.

Mas isso não é simples.

Na comunicação, todo deslocamento simbólico precisa ser sustentado por mais do que estética e narrativa. Ele exige coerência perceptiva, ou seja, quando o discurso muda, o gesto, o ritmo e a matéria também precisam mudar.

Senao, a marca corre o risco de parecer estar apenas se “fantasiando” de futuro, sem realmente se mover. E aqui entra a tensão mais interessante:

O quanto uma marca pode se reinventar antes de deixar de ser quem é?

Eu acredito que para a industria brasileira sobreviver ela precisar trabalhar essa transição com muito mais do que rebranding. Vai precisar de uma verdadeira reinterpretação simbólica.

A boa notícia: isso é possível.

A notícia incômoda: isso é bem mais difícil do que parece.

Dominique Chagas Founder e Diretora Criativa da Semiotante.

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