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A série Tiny Desk, da NPR, é conhecida por artistas que se apresentam ao vivo diante de uma mesa de escritório — o “desk” — rodeados por livros, objetos e instrumentos, em um ambiente intimista que pretende revelar o essencial da música.

O Brasil ja esteve por lá, quando Liniker e os Caramelows foram convidados ao Tiny Desk da NPR em 2018 para uma apresentação que misturou soul e jazz, com músicas como “Remonta”, “Tua” e a inédita “Calmô”.

A apresentação foi uma realização para a banda, especialmente para Liniker, que sempre foi fã do projeto, e funcionou como uma plataforma para apresentar seu som para uma audiência global e convidá-los a explorar mais trabalhos do grupo.

Na ocasião, igualmente como em outros de sucesso, por exmeplo de Dua Lipa, sucesso de visualizaçoes do projeto, a cenografia ambientaliza um modelo corporativo americanizado, com uma estética comum das redaçoes de jornal e agencias de publicidade.

Mas no caso do João Gomes, algo diferente acontece.

A mesa deixa de ser apenas apoio. Ela vira palco simbólico, manifesto visual, tradução de um Brasil profundo esquecido entre os prédios do mercado financeiro, advocacias ou até mesmo das próprias criativas, agencias de publicidade.

A mesa fala. A gente escuta?

Sobre a mesa do João, estão signos de identidade — objetos que falam, mesmo em silêncio:

🪑 Mini cadeiras de plástico , aquelas de quintal, de bar, de calçada. 🎏 A bandeira de Pernambuco, ocupando espaço com afeto e firmeza. ☕ A caneca artesanal , cheia de cor num ambiente cinza. 📕 O livro da Rita Lee , rebeldia impressa em papel. 🎧 Um fone de ouvido largado , a recusa da mediação. 📄 Anotações à caneta azul — o gesto do improviso que também é método.

Nada ali foi deixado ao acaso. Tudo tensiona: entre o sertão e o streaming, entre o improviso e a curadoria, entre o que é “de verdade” e o que é “de mercado”.

Enquanto isso, no corporativo…

Pense na sua mesa de trabalho. Na sua desk de reunião. O que ela comunica?

Na maioria dos escritórios, as mesas se parecem entre si: A mesma garrafinha inox. O mesmo planner com frases motivacionais. O mesmo livro de liderança nunca lido. – O mesmo vazio de identidade.

É como se todo mundo estivesse sentado… mas ninguém estivesse presente de fato.

João nos ensina o oposto

João chega com seu sotaque, seu chapéu de couro, sua sanfona, sua bandeira. Não esconde sua origem , ele a amplifica. E faz da mesa um lugar de memória, linguagem e pertencimento.

Ele nos lembra que uma mesa também pode ser território. Que cultura se comunica nos detalhes. Que identidade não precisa de tradução, precisa de coragem.

Precisamos de mais mesas como a dele

Mesas que carregam história e verdade. Que sustentam discurso. Que desafiam o silêncio dos ambientes pasteurizados. A mesa do João Gomes nos ensina que, para sermos ouvidos de verdade, precisamos primeiro ocupar com aquilo que nos representa.

Escrevo isso em uma mesa bagunçada e pensando no que falta de minha própria indentidade aqui.

Dominique Chagas – Founder Semiotante.

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